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Coral Júlio Kunz

Um dos coros mais tradicionais do Brasil, com 132 anos de história

Em 1824 chegavam ao RS os primeiros imigrantes alemães, ávidos por desbravar a nova terra. Esperançosos e cheios de idéias, traziam na bagagem as suas tradições culturais e o gosto pela música e pelas artes. 

O canto em grupo, quando se reuniam em encontros informais ou familiares, era o meio que encontravam para expressar sua alegria e devoção a Deus. 

Foi assim que surgiu a idéia de formar uma sociedade cultural que tivesse a responsabilidade de preservar a tradição e cultivar o canto coral em nossa região.

A assembléia de fundação deu-se no dia 4 de maio de 1888, no velho salão de Philipp Schmitt. Decidiu-se denominar este gesangverein, ou seja, esta sociedade de canto, de Frohsinn, espírito alegre, tendo como principal objetivo o cultivo do canto alemão e o congraçamento permanente dos associados. 

Assinaram-se os estatutos, onde se estabeleceu a mensalidade em 500 réis. Decidiu-se também pela compra de 36 Notenbücher – livros de canto. Em junho daquele ano o Gesangverein Frohsinn contava com 77 sócios, dos quais 32 eram ativos. 

Em junho de 1889 foi adquirido um piano novo e a partir de maio de 1890 o Frohsinn procurou oferecer aos associados noitadas teatrais e kränzchen – reuniões dançantes, que serviram de inspiração aos Hausmusick que foi resgatado e partir do ano do centenário.

Em novembro de 1891 o até então regente Karl Lanzer foi substituído por Julius Kunz, cujo dinâmico trabalho trouxe ainda maior motivação ao coral. 

Os ensaios realizavam-se às 3ªas e 6ªas feiras. Em 1897 Julius Kunz, como presidente, deixou de reger o coral, passando este cargo ao Sr. Samuel Dietschi.

Foi na virada do século que o Frohsinn conseguiu adquirir, com muita luta, a sua 1ª sede própria, prédio existente ainda hoje na Gen. 

Osório, aqui no Hamburgerberg. Marcava-se aí o iníci de uma nova fase na vida do Frohsinn. Na verdade, a passagem para o século XX fez o Frohsinn sofrer uma série de adaptações e transformações.

Sofreu, por exemplo, as conseqüências de dois conflitos mundiais que representaram épocas muito difíceis, tendo que mudar o seu modo de atuação e, principaolmente, o seu repertório, composto basicamente de músicas alemãs.

assada a 2ª Guerra Mundial, em 1949 os presidentes da Soc Atiradores de Hamburgo Velho, do América Tênis Clube (Denkmalsverein) e o Frohsinn acharam por bem formar uma nova sociedade mais pujante e atuante, surgindo daí a Sociedade Aliança de hoje.

O prestígio do coro pode ser exemplificado quando da visita do então Presidente da República, Juscelino Kubitscheck ao Rio Grande do Sul em abril de 1956, em que o Coro foi convidado a saudá-lo, a convite das “Classes Conservadoras Gaúchas”. 

Em seu discurso em nome do grupo, o coralista Erly Poisl traça o perfil da composição do Coro Orfeônico da época: ”O conjunto coral que aqui está e composto de descendentes em terceiro e quarto graus dos imigrantes germânicos colonizadores da encosta da serra em nosso Estado. 

Exercendo na indústria e no comércio as funções de gerentes, diretores, guarda-livros, encaixotadores, caixeiros de armazéns, fundidores, alfaiates, torneiros, químicos, economistas, mecânicos, vendedores, soldadores, marceneiros, eletro-técnicos, sapateiros e donos de depósitos de couro, de curtumes, de fábricas de calçados, somos levados a nos reunir uma vez por semana para, em comum, praticar a arte do canto e da música.” 

E mais adiante: “ As faltas aos ensaios nos custam cada vez Cr$ 5,00 que são drenados para uma caixa comum, cujo produto transformamos em chopp e sanduíches nas festas de encerramento de cada ano de atividade social. Quando falta rateamos de forma salomônica.”

Depois de 70 anos de coro masculino (o Coro Polifônico Julio Kunz) surgia o Coro Misto da Sociedade Aliança. 

Conta-se que muitos homens não gostaram da idéia, “afinal de contas, o que queriam essas senhoras e senhoritas fazer na Sociedade às 6ªas feiras à noite, horário sagrado dos homens para seus encontros em que se contavam piadas, bebia-se uma cerveja e, entre uma e outra, ensaiava-se?” Mas a intromissão feminina no mundo masculina já ensaiava seus primeiros passos de uma caminhada irreversível. 

Elas vieram e ficaram. Estamos no final dos anos 50. O regente da época era Oscar KIunz até 1962/1964, período em que assumia gradativamente o Prof. Osório Stoffel. 

Em 1963 o Coro se apresentou na Iª Fenac.

Em 1970 o Coro se apresentou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, sob a regência do maestro Pablo Komlos.

Em 1980 o Coro lança o seu 1º e único LP.

Em 1981, depois de 12 anos, o Coro volta a interpretar a cantata Cênica de Carl Orff, Carmina Burana, com outros corais, balet e a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.
Em 1985 o Coro participou da Missa de Ação de Graças na Catedral de Brasília para o então Presidente da República José Sarney.

No final de 1986 o Maestro Osório Stoffel deixa o JK, depois de 24 anos a sua frente.

Coro atravessa uma forte crise, pois um grande número de cantores antigos também deixa o grupo e há indícios de dissolução do Coral. Mas mais uma vez a instituição prevaleceu.

1987 começa tímido e termina grandioso, com a contratação do Maestro Bernardo Schneider e do Prof. De Técnica Vocal e barítono Decápolis de Andrade. Houve uma renovação significativa dos cantores e do repertório.

1988 foi o ano do Centenário do Aliança, por isso, um ano cheio de compromissos para o Coral e, sobretudo, o ano de preparação para a grande viagem à Europa (Alemanha e Dinamarca). Quase um sonho, foi pura realidade.

Em 1993 o sonho se repete e o grupo volta à Europa. Foram 30 dias pela Alemanha, República Tcheca, Hungria e Áustria, em uma viagem inesquecível.

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Outros momentos especiais que valem registrar:

• O musical “Viva o Rabo do Tatu”, um marco para o coro, que teve atuação cênica e também shows com a dupla Kleiton e Kledir – ano de 2000
• Participou do show “Tributo ao Rock” com a conceituada Banda The Travellers
• Muitos retiros por cidades do RS – oportunidade para integração e crescimento do grupo
• O Coro Júlio Kunz é um dos mais antigos grupos de canto do Brasil em atividade ininterrupta, mantendo a tradição de perpetuar o movimento coral como forma de agregar amigos e difundir a cultura e a emoção através da música.
• Desde seu início o grupo procurou difundir o canto coral também pelo Rio Grande do Sul afora, com um repertório variado, semeando novos grupos musicais e estimulando gerações para o sentimento cultural através da música.
• Um momento importante foi o Encontro de ex-cantores, realizado em outubro de 2009, que reuniu em torno de 90 coralistas, entre cantores e ex-cantores. Foi um belo momento do Coro.
• O coro mantém um repertório variado, com músicas de diferentes estilos e origens.
• O Coro esteve presente em vários eventos importantes para o desenvolvimento da arte gaúcha e nacional, como na formação da OSPA (Orquestra Sinfônica de Porto Alegre) e o concerto na Catedral de Brasília.
• Hausmusik – um resgate dos antigos costumes dos imigrantes alemães, evento que foi retomado a partir do Centenário do Clubem em 1988, quando passou a ter edições anuais por um período. Está no planejamento do Coro nova edição para este ano.
• Para bancar as suas despesas, o coro canta em casamentos e faz promoções, como uma já tradicional feijoada no inverno de cada ano.
• O Coro conta hoje com 25 cantores e está sob a regência de Volmir Jung, e tendo na técnica vocal Regina Schaumlöffel.
• O Coro ensaia todas às 3ªas feiras, das 20h às 22,30h.
• Para o 2º semestre tem na programação a apresentação de um espetáculo musical de Noel Rosa.

Além das duas viagens à Europa, muitas foram as viagens por diversos Estados do Brasil, bem como a outros países da América do Sul: Uruguai, Argentina, Chile e Paraguai.

Muitos corais do Brasil e do exterior foram recepcionados pelo JK, inclusive vários da Alemanha. Orquestras também nos visitaram.

Regentes:
1888/1891 – Karl Lanzer
1892/ 1897- Julius Kunz
1898/ ……..- Samuel Dietschi
………/1964 – Oscar Kunz Filho
1964/1986 – Prof. Osório Stoffel
…….. Profa. Julita Von Charten Pereira (interinamente)
1987/1993 – Bernardo Schneider (2 períodos)
1994 – Lincoln da Gama Lobo
Márcio Staudt
Lúcia Teixeira
Josimar Dias
Volmir Jung

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This Post Has 2 Comments

  1. Elisabete Carvalho

    Que trabalho maravilhoso tem o grupo.
    PARABÉNS! Por toda essa trajetória!

    1. admin

      Gratidão por seu comentário Elisabete! Um grande abraço!

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